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A CARREIRA DE NARRADOR DE eSPORTS, COM PABLO “XRM” OLIVEIRA

Narrar uma competição esportiva vai além de contar a história de um jogo. É tornar sua voz uma marca daquele momento e eternizá-la na memória do público. Quem um dia se esquecerá de frases épicas como o “É tetra”, de Galvão Bueno, ou “Ripa na chulipa”, de Osmar Santos?


Hoje, no cenário dos jogos eletrônicos uma das principais vozes nas transmissões é a de Pablo Oliveira, mais conhecido como “xrm” pela comunidade gamer. Responsável pelas narrações do jogo Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO), o também coordenador de eSports e transmissões na Gamers Club CS concedeu entrevista exclusiva para a equipe do Fórum Soluções Covid-19 eSports e falou um pouco mais sobre essa carreira e o universo dos jogos eletrônicos no Brasil.

Além de contar sobre suas maiores experiências, como narrar uma competição num estádio com mail de 30 mil pessoas, “xrm” acredita que o esporte precisa de ídolos e rivalidades para gerar mais audiência e atrair novos patrocínios. Confira abaixo a entrevista completa:

Atrás apenas da China e dos Estados Unidos, o Brasil possui hoje a terceira maior audiência global nos eSports. Como você vê o crescimento desse mercado no Brasil e a importância do nicho de jogos eletrônicos para o país?

O crescimento dos eSports no Brasil é nítido e excelente. Acredito que ainda temos muito mais para crescer e, por aqui, existem ainda muitos gamers que não conhecem de fato os eSports e muita gente que confunde o game casual com o competitivo. Eu mesmo demorei muitos anos para entrar no mundo dos esportes eletrônicos e passei muito tempo jogando apenas casualmente. O brasileiro já tem uma predisposição para se interessar por competição de diversos tipos de esporte, e acho que temos ainda muita gente interessada em games que podem ser convertidas para fãs de esportes eletrônicos. O lado bom é que é um novo mercado, com diversas oportunidades de emprego e geração de receita, algo acessível e em muitas vezes possível até de se fazer 100% remoto. Para um país como o Brasil que ainda tem uma grande taxa de desemprego, qualquer tipo de crescimento de oportunidade é interessante.

Na sua visão quais são os pontos positivos e o que pode ser melhorado para alavancar de vez o segmento no Brasil?

Acredito que o principal problema hoje em dia dos esportes eletrônicos é a personificação dos jogadores e estrelas. No esporte tradicional você consegue se identificar mais fácil com os atletas, contar suas histórias e gerar conteúdos. Nos esportes eletrônicos muitas vezes os atletas ficam escondidos atrás de nicks (nomes de usuário) e avatares e quase parece que não são humanos. É difícil criar uma identificação com o público quando você não tem um rosto por trás, e muitas vezes quando esse rosto aparece é sempre parado e na mesma posição e enquadramento. Também não temos tanta rivalidade, o que por um lado é bacana porque mostra que os games têm essa característica de serem mais pacíficos do que esportes convencionais, mas, por outro lado, são as grandes rivalidades que criam grandes histórias e atraem o público.

Como é ser um narrador de eSports? Quais as maiores dificuldades numa transmissão ao vivo?

Eu acho incrível. Acho que a grande diferença do narrador de eSports para o de esporte tradicional é justamente a proximidade que temos com o nosso público, muito por conta das plataformas de transmissão, onde muitas vezes conseguimos acompanhar o feedback e se comunicar com eles em tempo real através do chat. Pedimos sugestões, conversamos, e interagimos de diversas formas que não acontecem nos esportes tradicionais. O lado ruim acredito que seja justamente a falta de imagem muitas vezes, já que só temos câmeras dos times em grandes jogos, mas na maioria das vezes vemos apenas a tela do jogo e os jogadores/atletas ficam um pouco distantes de nós e da transmissão. Vemos apenas os nicks e no final os bonecos/avatares são sempre iguais. Isso é um pouco chato porque muitas vezes parece que os jogos são uma grande repetição, principalmente quando não se tem grandes estrelas. Mas isso muda muito dependendo da qualidade do campeonato que estamos narrando.

Como é o reconhecimento do público gamer? Existe uma idolatria ou cornetagem como acontece com os narradores de futebol e outros esportes?

É a parte mais legal do trabalho, ser reconhecido, elogiado, saber que tem gente que realmente gosta do seu trabalho. Mas assim como eu falei anteriormente que uma das melhores coisas é o feedback instantâneo graças ao chat ao vivo das plataformas de transmissão. Isso também pode ser um dos maiores problemas, já que muitas vezes, dependendo do jogo que você está fazendo, se um time brasileiro importante está jogando mal por exemplo, acaba sempre sobrando para quem está transmitindo (risos), e tem que ter bastante psicológico para não se deixar influenciar. Mas isso depende muito, ao mesmo tempo que quando o jogo está bom o chat te dá mais ânimo, confiança e autoestima. Em um jogo ruim eles podem ser bem duros com as palavras. Principalmente para quem está começando na profissão, tem que ter bastante cuidado para ler o chat ao vivo durante uma transmissão. Mas, com certeza, não tem nada tão gratificante como ter seu trabalho reconhecido, seja presencialmente ou online.

Quais seus maiores sonhos/objetivos nessa carreira de narrador de jogos eletrônicos? Qual a maior emoção já vivida?

Meu maior sonho é narrar um Major de CS:GO presencialmente em um estádio. Tive poucas oportunidades de narrar em estádios lotados, mas é uma sensação indescritível. Grande parte da nossa carreira passamos transmitindo de casa ou de estúdios fechados, e sempre que temos eventos presenciais com presença do público é outra experiência. Tive a oportunidade de narrar um jogo do MIBR durante a ESL One Belo Horizonte, no estádio do Mineirinho com mais de 30 mil pessoas presentes, e com certeza foi o maior momento da minha carreira. Mas já transmiti alguns títulos em estúdio também que me marcaram bastante, além da honra de ter aparecido algumas vezes em canais de televisão, que também é bem legal.

Como alguém que está inserido no ramo, acredita que regulamentar o setor é uma saída? Como a comunidade enxerga essa possibilidade?

Acho que depende muito do tipo de regulamentação, a princípio acho que não é bacana, porque vai criar amarras e dificultar o crescimento de um mercado que ainda precisa de muita verba para ser sustentável. Ainda vemos muita gente investindo num sonho, mas poucos que realmente estão colhendo já os frutos. O que precisamos é de incentivo do governo, a possibilidade de ser reconhecido como esporte como qualquer outro e com isso conseguir captar mais verba de patrocinadores para eventos. Qualquer tipo de burocracia seria muito ruim para o nosso cenário.

Como o governo pode contribuir com o setor? As Leis de Incentivo podem agregar com a modalidade?

Facilitando leis de incentivo que incentivem patrocinadores a investir em campeonatos e equipes. Com certeza, é disso que precisamos. Hoje em dia a captação de patrocinadores é um dos principais problemas que temos, e é difícil fazer o cenário realmente crescer sem ter dinheiro para que as organizadoras de campeonatos criem conteúdos diferenciados e que os times tenham dinheiro suficiente para dar a melhor condição de trabalho para seus atletas e eles mesmos conseguirem criar seus conteúdos.

Quais as saídas o segmento pode encontrar para atrair mais patrocínio?

No final das contas tudo sempre vai se resumir a audiência. Precisamos criar ídolos, estrelas, histórias de rivalidade e superação para atrair o público e com isso ter mais força para atrair patrocinadores.

Para você, qual o principal papel de eventos como o Fórum Soluções Covid-19 eSports para contribuir com o segmento?

Mostrar para o Brasil que os eSports não são de nenhuma forma prejudiciais para crianças e adolescentes. Pelo contrário, eles ajudam na inserção social, no relacionamento interpessoal e na evolução pessoal e cognitiva de cada um. Mostrar também que é um novo mercado com potencial gigantesco que pode gerar muita receita para o Brasil com diversas oportunidades de emprego em muitas áreas diferentes.

Sobre o Fórum

Realizado pela FPEFIT, o Fórum Soluções Covid-19 – eSports acontece nos dias 16, 23 e 26 de outubro. Totalmente online e com inscrições gratuitas pelo site oficial (www.forumsolucoescovid19esports.com), o evento visa unir órgãos governamentais, entidades privadas e profissionais do setor para discutir e encontrar melhorias e novas oportunidades para o universo dos jogos eletrônicos no Brasil.

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